Aparelho chegou à pré-venda por US$ 1.049; crise de componentes forçou aumento de 33% sobre o projeto original, mas a dona do Steam prefere defender o mercado aberto a vender hardware com prejuízo.
A mais recente iteração das Steam Machines teve sua pré-venda iniciada com um choque de realidade para muitos entusiastas de hardware e jogos eletrônicos: um preço de entrada de US$ 1.049. Por trás dessa cifra expressiva, esconde-se não apenas um cenário tecnológico global em crise, mas uma decisão comercial firme por parte da Valve. Diferente das gigantes que dominam o mercado de consoles de mesa, a empresa de Gabe Newell se recusou expressamente a subsidiar o custo de fabricação de seu novo dispositivo.
O impacto do “apocalipse da RAM”
Internamente, os planos da Valve previam um cenário muito mais acessível para os consumidores. A expectativa inicial era colocar a nova Steam Machine no mercado com um preço sugerido na casa dos US$ 749. No entanto, o projeto esbarrou em um sério gargalo logístico e produtivo, atualmente conhecido na indústria como o “apocalipse da RAM”.
O encarecimento acentuado das peças e a escassez de hardware forçaram a Valve a repassar um aumento de aproximadamente 33% para o valor final da máquina. Diante dessa reviravolta, parte do mercado especulou se a gigante dos PCs não deveria abrir mão de suas margens e usar o faturamento bilionário da sua loja digital, o Steam, para absorver as perdas — barateando o aparelho para dominar as salas de estar.
Para figuras conhecidas da indústria, como Michael Douse, diretor de publicação da Larian Studios, a escolha da Valve gerou estranheza. Douse chegou a argumentar que a recusa em subsidiar um desconto de cerca de US$ 200 era peculiar, considerando que o número de novos usuários atraídos traria lucros muito superiores para a loja virtual que, nas palavras dele, é uma “máquina de imprimir dinheiro”.
Uma extensão dos PCs, não um console
Ao explicar sua postura, a Valve foi enfática ao demarcar seu território: a Steam Machine não é um console tradicional.
No modelo de negócios consagrado por marcas como PlayStation (Sony) e Xbox (Microsoft), é comum vender o hardware principal com prejuízo ou margens irrisórias, visando recuperar e lucrar posteriormente através de mensalidades e venda de jogos num ecossistema fechado.
A Valve rejeita esse formato. Para a companhia, essa estratégia de prender o consumidor em um hardware único e dependente de serviços pode funcionar a curto prazo para uma empresa, mas ecossistemas abertos são comprovadamente a melhor opção a longo prazo para os jogadores. A fabricante ressalta que o sucesso histórico dos computadores se deve à sua natureza aberta, que por décadas impulsionou a inovação tanto em peças quanto em softwares.
O grande trunfo de jogar no PC é a liberdade de rodar o que quiser no computador que o usuário desejar montar ou comprar. A Valve define sua máquina como apenas “uma das soluções” para jogar no conforto do sofá, sem qualquer pretensão de torná-la a única opção válida.

Um mercado sob pressão
A recusa da Valve em absorver o prejuízo das peças ocorre em um período onde todo o mercado sofre as mesmas dores financeiras. Pela primeira vez na história recente, videogames da geração atual, como o PS5 e os Xbox Series X/S, sofreram aumentos de preço nos últimos cinco anos, quebrando a tradição do setor de baratear os consoles com o passar do tempo. A própria Nintendo não esconde que a futura geração do Switch sentirá o peso desse encarecimento na linha de produção.
Os interessados na nova plataforma da Valve já podem escolher entre duas opções robustas. A versão padrão, equipada com 512 GB de armazenamento, parte de US$ 1.049. Já os jogadores mais exigentes podem optar pela versão de 2 TB, vendida a partir de US$ 1.349. Há também a opção de incluir no pacote o controle oficial da marca, o Steam Controller, mediante a um valor adicional.
Steam Machine ou PC Gamer: Qual é o melhor investimento?
O site GameCentral publicou uma análise comparando as configurações e o custo-benefício da nova Steam Machine com a montagem de um PC Gamer no Brasil. O hardware da Valve tem valor estimado entre R$ 7.500 e R$ 8.500 em território nacional.
O resumo do comparativo aponta as seguintes conclusões:
- Opção mais econômica: Com aproximadamente R$ 5.700, é possível montar um PC Gamer com uma placa de vídeo GeForce RTX 5060.
- O melhor custo-benefício: Esse PC com RTX 5060 custa menos que o preço estimado do aparelho da Valve e foi eleito pela análise como a opção de melhor custo-benefício.
- O maior desempenho: Investindo cerca de R$ 8.800, valor muito próximo da estimativa mais alta da Steam Machine, o jogador consegue montar um desktop equipado com uma robusta GeForce RTX 5070.
- Vantagens exclusivas do PC: Os computadores montados contam com as tecnologias exclusivas da NVIDIA nas placas RTX 5060 e 5070, incluindo inovações como o DLSS 4 e o Frame Generation.
- Vantagens da Steam Machine: O hardware fechado compensa oferecendo um processador com arquitetura Zen 4 moderna, o uso de memórias DDR5 e um sistema operacional (SteamOS) altamente otimizado para o dispositivo.
- Veredito da performance: A máquina da Valve ocupa uma posição intermediária entre os dois computadores listados; ela facilmente supera um PC médio de entrada, mas dificilmente atinge a performance máxima entregue pela RTX 5070 em jogos mais pesados.
Segundo a avaliação, a escolha ideal depende inteiramente do perfil do usuário. O jogador deve colocar na balança se prefere a flexibilidade técnica de peças modulares ou se valoriza mais a facilidade e a praticidade do ecossistema da Valve na sala de estar.
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